Periódicos Científicos da Ciência da Informação: os títulos indexados na WoS

 

ESTUDIOS / RESEARCH STUDIES

PERIÓDICOS CIENTÍFICOS DA CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO: OS TÍTULOS INDEXADOS NA WOS

Rosângela Schwarz Rodrigues*, Daniela Stubert*

* Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Brasil

rosangela.rodrigues@ufsc.br, danielastubert@gmail.com

 

RESUMO

Este artigo estuda os periódicos da área da Ciência da Informação indexados na Web of Science (WoS). Os objetivos específicos são: a) descrever as características editoriais dos periódicos da Ciência da Informação indexados na base Web of Science; b) apontar o tipo de acesso; e c) identificar quais títulos estão indexados no DOAJ. A metodologia é pesquisa descritiva e exploratória. Os resultados mostram 84 periódicos indexados na base Web of Science, no ano de 2012, 9 títulos de acesso aberto, estando apenas 6 indexados no DOAJ. O tipo de entidade editorial predominante são as editoras comerciais, com 56 títulos (67% do total), e a periodicidade trimestral é a que fica em evidência. A maioria (62,1%) dos periódicos possui fator de impacto entre 0 a 0,999; apenas 2 títulos apresentam fator de impacto acima de 4,999, e seus editores são dos Estados Unidos e da Holanda. Reflete ainda sobre a condição da Ciência da Informação ser a área do conhecimento com a percepção mais evidente da questão do acesso e dos custos de periódicos científicos e apresentar uma quantidade muito significativa de títulos de editoras comerciais, equivalente ao cenário geral, na qual os títulos em acesso aberto se devem a uma condição geográfica, com uma proporção maior no Brasil.

REVISTAS CIENTÍFICAS DE CIENCIAS DE LA INFORMACIÓN: LOS TÍTULOS INDEXADOS EN WOS

RESUMEN

Este artículo estudia las revistas en el campo de Ciencias de la Información indexadas en la Web of Science (WoS). Los objetivos específicos son: a) describir las características editoriales de las revistas indexadas en la Web of Science (WoS). b) indicar el tipo de acceso; c) identificar qué títulos están indexados en DOAJ. El método utilizado se basea en la investigación descriptiva y exploratoria. Los resultados muestran 84 revistas indexadas en la WoS en 2012, 9 títulos de libre acceso, pero sólo 6 indexadas en DOAJ. La entidad editorial predominante son los editores comerciales, con 56 títulos (67% del total), y la publicación trimestral es la más común. La mayoría (62,1%) de las revistas tienen un factor de impacto entre 0 a 0,999 y sólo 2 títulos tienen factor de impacto superior a 4,999, y sus editores son de los Estados Unidos y de los Países Bajos. Reflexiona sobre la condición de Ciencias de la Información de ser el área de conocimiento con la percepción más evidente de la cuestión del acceso y el costo de las revistas científicas, y presentar una cantidad muy representativa de títulos de editoras comerciales, equivalente de las entidades editoriales en el escenario general, en la que los títulos de acceso abierto se deben a una condición geográfica, con una proporción mayor en Brasil.

Recibido: 23-06-2014; 2ª versión: 01-10-2014; Aceptado: 13-01-2015.

Cómo citar este artículo/Citation: Rodrigues, R.S.; Stubert, D. (2015). Periódicos Científicos da Ciência da Informação: os títulos indexados na WoS. Revista Española de Documentación Científica, 38 (3): e094, doi: http://dx.doi.org/10.3989/redc.2015.3.1197

PALAVRAS-CHAVE: Comunicação científica; periódicos científicos; acesso aberto.

PALABRAS CLAVE: Comunicación científica; revistas científicas; acceso abierto.

Copyright: © 2015 CSIC. Este es un artículo de acceso abierto distribuido bajo los términos de la licencia Creative Commons Attribution-Non Commercial (by-nc) Spain 3.0.

CONTENIDOS

RESUMO
RESUMEN
1. INTRODUÇÃO

2. REVISÃO DE LITERATURA
3. METODOLOGIA
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
5. CONCLUSÃO
REFERÊNCIAS
APÊNDICE

 

1. INTRODUÇÃO
 Top

A Ciência necessita de um sistema de comunicação próprio, a base para os avanços científicos é a publicação dos resultados das pesquisas. Para um trabalho tornar-se uma contribuição efetiva para a área do conhecimento, é preciso estar visível, a fim de ser criticado e utilizado pelos demais membros da comunidade. A necessidade de registro de autoria na ciência justifica o empenho dos pesquisadores para publicar em revistas de prestígio, cuja visibilidade é maior do que nas publicações menos lidas e menos conceituadas em função da seleção mais rigorosa dos artigos submetidos, com o expresso propósito de controlar a qualidade do que é publicado (Merton, 1973Merton, R. K. (1973). The Sociology of Science: theoretical and empirical investigations. Chicago: University of Chicago Press.; Meadows, 1999Meadows, A J. (1999). A comunicação científica. Brasília: Briquet de Lemos., Guedon, 2001Guédon, J. C. (2001). Oldenburg’s long shadow: librarians, research scientists, publishers, and the control of scientific publishing. Washington: Association of Research Libraries.; Ziman, 1979ZIMAN, J. (1979). Conhecimento público. Itatiaia: EDUSP., 1981ZIMAN, J. (1981). A força do Conhecimento. São Paulo: Editora de Universidade de São Paulo.).


Em todas as áreas do conhecimento, os periódicos atuam como filtro para selecionar os trabalhos válidos, e os índices de rejeição funcionam como indicador de qualidade ao selecionar os melhores textos sem comprometer a periodicidade. A publicação em uma revista reconhecida é a forma mais aceita para registrar a originalidade do trabalho e confirmar que os resultados foram confiáveis o suficiente para superar o ceticismo da comunidade científica, representada pelo editor e pelos avaliadores (Ziman, 1979ZIMAN, J. (1979). Conhecimento público. Itatiaia: EDUSP.). Se os periódicos com informações essenciais para o avanço da ciência estão fora do alcance dos pesquisadores, esses ficam alijados das discussões e suas pesquisas ficam comprometidas, pois não puderam incluir os resultados e discussões mais recentes dos trabalhos dos colegas da área nas suas próprias pesquisas (Abadal, 2012Abadal, E. (2012). Acceso abierto a la ciencia. Barcelona: Editorial UOC (Colección El profesional de la información), Disponível em: http://diposit.ub.edu/dspace/bitstream/2445/24542/1/262142.pdf Acesso em: 29 jun. 2012..).

O cenário mundial demanda estudos que identifiquem as estruturas de um modelo editorial que está no centro das discussões mundiais (King e Tenopir, 2011King, D.; Tenopir, C. (2011). Some Economic Aspects of the Scholarly Journal System. Anual Review of Information Science and Technology, 45, pp. 295-366. Medford, NJ: Blaise Cronin, ed. Information Today, Inc.; Houghton et al, 2009Houghton, J. et al. (2009). Economic implications of Alternative Scholarly Publishing Models: Exploring the Costs and Benefits, JISC EI-ASPM Project. Report to the Joint Information Systems Committee (JISC) (UK), CSES; Loughborough University.). Nos países chamados “desenvolvidos”, o modelo editorial está baseado em editoras comerciais, que privatizam os registros do conhecimento obtido pelas pesquisas geradas com financiamento público ao cobrar o acesso aos artigos e também controlam o preço das assinaturas e a quantidade de títulos nas diversas áreas em função de interesses comerciais (Mcguigan e Russel, 2008McGuigan, G. S.; Russel, R. D. (2008). The business of academic publishing: a strategic analysis of the academic journal publishing industry and its impact on the future of scholarly publishing. Electronic Journal of Academic and Special Librarianship, 9 (3).). Contudo, surgem alterativas que mostram a viabilidade de periódicos de qualidade em acesso aberto em títulos dos países chamados “periféricos” (Rodrigues e Abadal, 2014Rodrigues, R. S.; Abadal, E. (2014). Scientific journals in Brazil and Spain: alternative publisher models. Journal of the American Society for Information Science and Technology, In press.).

Os desenvolvimentos da web viabilizaram a diminuição dos custos de diagramação e de produção das revistas, com as publicações científicas migrando em massa para o formato digital e propiciando visibilidade global e imediata aos artigos. No entanto, não foi possível identificar diminuição dos custos nem a diminuição de títulos das editoras comerciais. Esta pesquisa está centrada em identificar o tipo de acesso dos periódicos da área da Ciência da Informação (CI) indexados na base de dados Web of Science (WoS), escolhida por ser considerada de maior prestígio no cenário internacional. O estudo sobre a CI se justifica em função da comunicação científica ser objeto de estudo da área e sobre as manifestações de bibliotecários sobre os custos de assinatura dos periódicos, o que poderia gerar a hipótese que os títulos da área estão em mãos de associações ou universidades e em acesso aberto.

O objetivo geral é investigar o tipo de acesso dos periódicos da área da Ciência da Informação indexados na base de dados Web of Science. Os objetivos específicos são: a) descrever as características editoriais dos periódicos indexados na base Web of Science; b) identificar o tipo de acesso; e c) apontar quais títulos estão indexados no Directory of Open Access Journals (DOAJ).


 

2. REVISÃO DE LITERATURA Top

A expansão da Internet e a difusão do conceito de “sociedade do conhecimento” (Castells, 2003Castells, M. (2003). A sociedade em rede. (7ª ed.). São Paulo: Paz e Terra.) criaram um novo interesse nos periódicos científicos, veículo de excelência para o registro dos diálogos das comunidades de pesquisadores em todas as áreas, principalmente em função do rigor na seleção e revisão dos artigos, o que gera alto grau de confiabilidade.

A confiabilidade é considerada o maior valor epistêmico da Ciência. A diferença fundamental é que a busca do conhecimento confiável está embutida dentro do sistema de crença básica da Ciência, tanto em termos conceituais, quanto em termos de suas práticas empíricas; não é uma exigência imposta externamente ou restrição. A compulsão de continuamente verificar e testar os créditos e resultados, próprios e alheios, está profundamente enraizada na formação de pesquisadores. Ziman (1979ZIMAN, J. (1979). Conhecimento público. Itatiaia: EDUSP.) aponta que os leitores da ciência se comportam como um grupo que trabalha em conjunto e analisa as contribuições de cada um. O público a quem os artigos são direcionados reage rápida e eficazmente na próxima edição da revista, na próxima conferência, banca ou próxima reunião. É uma atividade social e profissional de monitoramento permanente (Meadows, 1999Meadows, A J. (1999). A comunicação científica. Brasília: Briquet de Lemos.).

A revisão permanente de processos de trabalho e a necessidade de convencer os colegas especialistas da precisão, pertinência e importância dos resultados obtidos, de forma a ganhar uma reputação de prestígio, implica que os resultados da tarefa de pesquisa só são alcançados por meio de uma comunicação formal nos canais aceitos pela comunidade. Este sistema conecta resultados da investigação de diferentes grupos preocupados com problemas comuns, e também fornece o espaço para a discussão formal, que aceita o conflito sobre reputações e interpretações como parte do processo para a confiabilidade. As publicações científicas são a estrutura principal para o controle das normas e processos de trabalho, bem como o locus das negociações sobre a relevância de metas e prioridades acadêmicas (Whitley 1984Whitley, R. (1984). The Social and Intellectual Organization of the Science. Oxford: Oxford University Press.; Meadows 1999Meadows, A J. (1999). A comunicação científica. Brasília: Briquet de Lemos.).

A Ciência depende da palavra escrita por duas razões principais: a) é fundamental manter um registro público organizado das teorias, dos resultados da investigação, fórmulas, modelos, para que outros cientistas possam consultar; e b) o grupo precisa de um documento formal do trabalho do cientista, a fim de criticar, replicar e melhorar ideias e técnicas (Ziman, 1981ZIMAN, J. (1981). A força do Conhecimento. São Paulo: Editora de Universidade de São Paulo.). De acordo com Guédon (2001Guédon, J. C. (2001). Oldenburg’s long shadow: librarians, research scientists, publishers, and the control of scientific publishing. Washington: Association of Research Libraries.), as revistas científicas trabalham como um dispositivo de função tripla: a) uma ferramenta de atribuição de prestígio; b) a chave para o título de propriedade de determinado elemento que possa ser citado (resultados, figuras, parágrafos, etc); e c) instrumento de avaliação de desempenho individual de cientistas. Publicar um artigo em um periódico importante da área garante prestígio, visibilidade e faz a diferença na disputa por uma posição na academia, na obtenção de verbas para pesquisas e na progressão funcional do pesquisador.

As revistas do núcleo principal são identificadas e classificadas, em grande parte, de acordo com seu fator de impacto, e os cientistas têm pouca escolha, senão submeter trabalhos aos melhores periódicos. A existência de periódicos do núcleo, identificados claramente com posição de destaque, leva pesquisadores produtivos à procura de visibilidade, prestígio e autoridade a submeter seus melhores trabalhos nestas publicações, o que se reflete na classificação dos cursos e das instituições (Guédon, 2001Guédon, J. C. (2001). Oldenburg’s long shadow: librarians, research scientists, publishers, and the control of scientific publishing. Washington: Association of Research Libraries.). O prestígio é assegurado por meio dos sistemas de revisão cega de pares e pelas melhorias que os revisores impõem aos artigos. Como o editor e os revisores representam os cientistas da área, fica explícito que consideraram o trabalho do autor bom o suficiente para ser citado pela comunidade científica (Mueller, 2006Mueller, S. P. M. (2006). A comunicação científica e o movimento de acesso livre ao conhecimento. Ciência da Informação, 35 (2), pp. 27-38.; Ziman, 1979ZIMAN, J. (1979). Conhecimento público. Itatiaia: EDUSP.).

A expansão do conceito de Acesso Aberto e das ferramentas editoriais em código aberto viabilizam a criação de títulos de qualidade por editores independentes, que se organizam de várias maneiras para buscar a credibilidade e visibilidade necessárias para o reconhecimento das revistas. As mudanças tecnológicas abriram espaço para o questionamento do valor agregado pelos editores comerciais no sistema de publicação científica. A concentração dos títulos é uma das explicações, pois apenas três grandes editoras comerciais (Elsevier, Springer-Kluwer e Wiley-Blackwell) detém 42% de todos os artigos publicados e as revistas de maior prestígio e circulação (Mcguigan e Russel, 2008McGuigan, G. S.; Russel, R. D. (2008). The business of academic publishing: a strategic analysis of the academic journal publishing industry and its impact on the future of scholarly publishing. Electronic Journal of Academic and Special Librarianship, 9 (3).). Outros 2.000 editores são responsáveis pelos demais títulos, nenhum com mais de 3% do total. A concentração de empresas também é descrita por Arsenault e Castells (2008Arsenault, A.; Castells, M. (2008). The Structure and Dynamics of Global Multi-Media Business Networks. International Journal of Communication, 2, pp. 707-748.) em análise sobre os meios de comunicação de massa, onde detalha o oligopólio formado por empresas transnacionais com sede principalmente nos EUA e Inglaterra: TimeWarner; Disney; News Corp.; Bertelsnann; Viacom; CBS; NBC(GE); Microsoft; Google; Yahoo! e Apple.

Enquanto o reconhecimento dos meios de comunicação de massa passam por audiência e faturamento, na comunicação científica as métricas de uso pelos próprios cientistas são responsáveis pelo prestígio de cada revista. Os produtos métricos elaborados pelo Institute for Scientific Information (ISI) constituem hoje os recursos de maior influência em escala internacional, o ISI é parte do grupo empresarial Thomson Reuters e sua plataforma de consulta é conhecida como Web ofKnowledge, seus índices são: Science Citation Index, Social Sciences Citation Index e Arts & Humanities Citation Index (Rodriguez Yunta, 2010Rodriguez-Yunta, L. (2010). Las revistas iberoamericanas en Web of Science y Scopus: visibilidad internacional e indicadores de calidad. Em: Comunicación en el VII Seminario Hispano-Mexicano de Investigación en Bibliotecología y Documentació. Ciudad de Mexico.). A WoS é reconhecida como fonte de periódicos científicos de qualidade em todas as áreas do conhecimento pela comunidade internacional ter a seleção mais rigorosa, por utilizar não apenas os dados de citação e indicadores, mas também por estabelecer as fórmulas utilizadas para calcular os indicadores que classificam os periódicos, o que lhe dá uma influência enorme em todo o sistema de comunicação científica.

A expansão dos recursos digitais e as facilidades para editar periódicos propiciou o surgimento de novas alternativas editoriais no cenário científico, uma dessas alternativas são os títulos em Acesso Aberto.


2.1. Acesso aberto

É em meio as mudanças conhecidas como crise dos periódicos, por volta da década de 1980, que acontecem as iniciativas de promover maior acesso ao conhecimento científico. Mueller aponta que:

[...] há interesses financeiros das editoras que dominam o mercado de periódicos, há os interesses das instituições de pesquisa e universidades que lutam por prestígio e financiamento, há interesses nacionais, políticos e econômicos que buscam o desenvolvimento e prestígio nacional e há o interesse pessoal dos pesquisadores, tanto daqueles que já ocupam os lugares mais altos na hierarquia – e que desejam lá permanecer –, quanto daqueles que estão em ascensão e disputam lugares mais altos e também os marginalizados, para quem mudanças seriam, talvez, favoráveis (Mueller, 2006Mueller, S. P. M. (2006). A comunicação científica e o movimento de acesso livre ao conhecimento. Ciência da Informação, 35 (2), pp. 27-38.).

Os dois principais modos registrados na literatura de deixar os artigos em Acesso Aberto são a via Verde, na qual uma cópia do trabalho publicado pelo periódico com acesso pago é disponibilizada em um repositório; e a via Dourada, na qual o acesso sem restrições aos leitores é financiado pela instituição do próprio periódico ou por pagamento pelo próprio autor (Willynsky, 2003Willinsky, J. (2003). The Nine Flavours of Open Access Scholarly Publishing. Journal of Postgraduate Medicine, 49, pp. 263-267.).

O estudo de King e Tenopir (2011King, D.; Tenopir, C. (2011). Some Economic Aspects of the Scholarly Journal System. Anual Review of Information Science and Technology, 45, pp. 295-366. Medford, NJ: Blaise Cronin, ed. Information Today, Inc.) faz uma revisão dos trabalhos publicados sobre Acesso Aberto e prioriza a alternativa dos repositórios associada a periódicos com subscrição, o que é comum em estudos feitos por autores dos EUA e Europa. Esse estudo detalha os aspectos econômicos do sistema de comunicação científica e conclui que o maior valor está no tempo dos pesquisadores, que atuam como autores, leitores, revisores e editores dos periódicos.

Kaufman (2005Kaufman Wills Group (2005). The Facts About Open Access: A Study of the Financial and Non Financial Effects of Alternative Business Models for Scholarly Journals. Worthing; West Sussex (UK): Association of Learned and Professional Society Publishers.) usou questionários e entrevistas para identificar a opinião de aproximadamente 9.000 periódicos de ciência, tecnologia e saúde, organizados pelos títulos indexados no DOAJ, os membros da American Association of Medical Colleges, membros da Association of Learned and Professional Scholarly Publications e os que fazem parte da HighWire Press, que usam o “delayed” Open Access. Os resultados mostraram alta concentração de periódicos por instituição editora e uma diversidade de posicionamentos de mercado sobre o assunto.

Edgard e Willinsky (2010Edgar, B.; Willinsky, J. (2010). A Survey of Scholarly Journals Using Open Journal Systems. Scholarly and Research Communication, 1 (2).) identificam a distribuição global de periódicos em acesso aberto: metade se encontra em países do sul com pouca tradição editorial. Os autores mostram a importância do trabalho voluntário de pesquisadores e destacam a importância do software Open Journal System, o qual consideram responsável pela criação de uma “nova via” para a comunicação científica.

Para Terra-Figari (2008Terra-Figari, L. I. (2008). Diseminación del conocimiento académico en América Latina. Montevideo. Em: Antropología Social y Cultural en Uruguay 2007. Uruguay: UNESCO.), o conceito de acesso aberto possui conotação diferente entre os países centrais e periféricos. Para o autor, o surgimento do acesso aberto nos países centrais se deu devido aos preços exorbitantes dos periódicos científicos, enquanto que nos países periféricos veio para responder aos problemas de falta de periódicos e de informação e visibilidade sobre as pesquisas realizadas.

Rodrigues e Abadal (2014Rodrigues, R. S.; Abadal, E. (2014). Scientific journals in Brazil and Spain: alternative publisher models. Journal of the American Society for Information Science and Technology, In press.) ao comparar o tipo de acesso dos periódicos brasileiros e espanhóis identificaram grande numero de títulos em acesso aberto não comercial (55% dos espanhóis e 95% dos brasileiros) em todas as áreas do conhecimento, sendo que na Espanha a maioria da ciências sociais aplicadas e Humanidades; e resgatam a necessidade de usar o conceito da “via platina”, onde as editoras não comerciais são responsáveis pelos periódicos, em acesso aberto sem cobrança de taxas de processamento de artigos, como menciona Crawford (2011Crawford, W. (2011). Open Access: What You Need to Know Now. Chicago: American Library Association.).

Coleman (2007Coleman, A. (2007). Self-archiving and the Copyright Transfer Agreements of ISI-ranked library and information science journals. Journal of the American Society for Information Science and Technology, 58 (2), pp. 286-296.) estudou os 52 títulos da Ciencia da Informação no WoS na lista de 2005, descreveu as licenças de copyright (Copyright Transfer Agreements) e identificou que 2 títulos eram Open Access, 62% não divulgavam o tipo de licença, 40% não mencionavam a possibilidade e 10% proibiam o auto-arquivamento. A autora recomenda que a área de Library and Information Systems (LIS) avance em seu próprio sistema de comunicação científica usando o Acesso Aberto e sirva de modelo para as demais.

Os títulos em Acesso Aberto surgem com mais frequência em países fora do chamado “main stream” da ciência, e buscam reconhecimento de qualidade pela indexação nas bases de dados consideradas relevantes por cada área do conhecimento, e em especial as duas bases mais reconhecidas internacionalmente: a Web of Science e a SCOPUS.


 

3. METODOLOGIA Top

Em função do levantamento feito, a pesquisa desenvolvida neste trabalho se caracteriza como exploratória e descritiva, a fim de estudar as características do objeto em estudo (Creswell, 2010Creswell, J. W. (2010). Projeto de pesquisa: métodos qualitativo, quantitativo e misto. (3ª ed.). Porto Alegre: ARTMED.). Quanto à forma de abordagem do problema, esta pesquisa pode ser caracterizada como sendo de métodos mistos e documental.

O universo da pesquisa é composto pelos 84 periódicos da área da CI indexados na base Web of Science (WoS), obteve-se a lista tomando como base o ano de 2012, que se manteve em 2013. A WoS foi escolhida por ser considerada a base mais rigorosa e onde estão os títulos de maior prestígio em todas as áreas do conhecimento, assim evita-se tratar da qualidade dos periódicos da amostra, assumindo que todos atendem critérios internacionalmente aceitos. Foram considerados os periódicos que apresentavam o Journal Citation Report (JCR) para o obtenção do Fator de Impacto (FI), que é a média de citações recebidas por cada título em determinado período. Além disso, a base apresenta recursos que permitiram identificar o número de fascículos e artigos de cada título.

O instrumento de coleta de dados foi uma ficha documental, elaborada no Microsoft Office Excel 2007, as fontes utilizadas para a coleta de dados foram JCR; Google; a página web do periódico da pesquisa e o DOAJ. Os dados foram processados por meio de estatística descritiva.


 

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO Top

As características editoriais dos periódicos consideradas na pesquisa são: a) o país de origem; b) a instituição responsável; c) a periodicidade; d) o número de artigos; e e) o fator de impacto. A Tabela I, mostra a distribuição por país e tipo de entidade editorial dos periódicos.

O país que possui maior número de periódicos indexados são os Estados Unidos, com um total de 37 títulos (44%), seguido da Inglaterra, com 24 títulos (29%), Holanda, com 6 títulos (7,1%), Alemanha, com 4 títulos (4,8%), Brasil, com 3 títulos (3,6%), Austrália, Canadá e Espanha, com 2 títulos cada um (2,4%), e Japão, Malásia, México e Nigéria, com 1 título cada um (1,2%).

Examinando a Tabela I, percebe-se que as editoras comerciais são as responsáveis pelo maior numero de periódicos, com 56 (67,1%) do total, indo ao encontro do estudo realizado por Coleman (2007) em que 71%, ou seja, a maioria é de editoras comerciais. Em seguida, as universidades, com 13 (15,6%), as Associações, com 12 (14,3%), e os institutos de pesquisa, com 3 (3,6%).

Tabela I. Distribuição dos tipos de entidades editoriais por país

Distribuição dos tipos de entidades editoriais por país

[Descargar tamaño completo]

 

A identificação dos periódicos por país mostrou títulos provenientes da América do Norte, América do Sul, Oceania, Ásia e África. A predominância dos Estados Unidos e da Europa na publicação de artigos científicos é fato comum na ciência (UNESCO, 2010UNESCO (2010). Unesco Science Report: the current status of science around the world. Paris: United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization.). As barreiras de publicação enfrentadas pelas regiões periféricas, América Latina, África, Ásia e Europa oriental, são identificadas por Terra-Figari (2008Terra-Figari, L. I. (2008). Diseminación del conocimiento académico en América Latina. Montevideo. Em: Antropología Social y Cultural en Uruguay 2007. Uruguay: UNESCO.) como: comunidade acadêmica demasiadamente pequena, incentivos limitados, falta de financiamento à pesquisa, idioma diferente do idioma comum na ciência (inglês) e diferenças nos parâmetros de edição e publicação. Segundo Velho (1985Velho, L. M. S. (1985). Como Medir Ciência?. Revista Brasileira de Tecnologia, 16 (1), pp. 35-41.), isso acontece ainda devido ao fato dos indicadores terem sido idealizados no ocidente e desta forma superestimam a participação dos países ocidentais do hemisfério norte na ciência mundial, gerando essa desigualdade na distribuição da produção científica.

No estudo de Packer (2011Packer, A. L. (2011). Os periódicos brasileiros e a comunicação da pesquisa nacional. Revista USP, 89.), os Estados Unidos seguido da Inglaterra e Holanda lideravam a lista dos periódicos de todas as áreas do conhecimento indexados na WoS em 2010, padrão que se aplica na Ciência da Informação em 2012 e 2013.

As editoras comerciais dominam o mercado de publicação de periódicos desde o século XVIII, o que resultou na chamada crise dos periódicos e o início pelo movimento do acesso aberto. Mueller (2006Mueller, S. P. M. (2006). A comunicação científica e o movimento de acesso livre ao conhecimento. Ciência da Informação, 35 (2), pp. 27-38.) explica que as editoras possuem interesses financeiros enquanto que as instituições de pesquisa e universidades lutam por prestígio e financiamento.

A Tabela II mostra o número de periódicos da CI por entidade editoral. Nota-se que as entidades editoriais que possuem maior número de periódicos são: a) Elsevier Inc; e b) Emerald Group Publishing Limited.

Tabela II. Distribuição dos periódicos da Ciência da Informação por entidade editorial

Distribuição dos periódicos da Ciência da Informação por entidade editorial

[Descargar tamaño completo]

 

Verifica-se na Tabela II que a Elsevier Inc abriga 12 (14,3%) títulos, enquanto a Emerald Group Publishing Limited abriga 9 (10,7%). A Sage Publications LTD e Willey-Blackwell abrigam 5 (6%) periódicos cada, e a Springer abriga 4 (4,8%) periódicos da CI. As entidades editoriais que mais abrigam periódicos são as editoras comerciais, que somadas representam 54 (64,3%) do total. Dos nomes listados na Tabela II, somente a Amer Library Assoc, Australian Library & Information Assoc LTD e a Johns Hopkins Univ Press não são editoras comerciais. As demais entidades se alternam entre associações, institutos de pesquisa e universidades.

A Ciência da Informação repete o padrão identificado por McGuigan e Russel (2008McGuigan, G. S.; Russel, R. D. (2008). The business of academic publishing: a strategic analysis of the academic journal publishing industry and its impact on the future of scholarly publishing. Electronic Journal of Academic and Special Librarianship, 9 (3).), com a predominância dos títulos norte-americanos e ingleses e a concentração de editoras comerciais. Isto é consequência também da amostra escolhida para este trabalho, mas que reflete um padrão global onde as publicações de maior prestígio estão concentradas nos Estados Unidos e Inglaterra e em editoras comerciais.

A periodicidade é um dos principais critérios de análise da qualidade do periódico por bases de dados nacionais e internacionais. A avaliação dos periódicos envolve dois aspectos complementares de natureza intrínseca e extrínseca. Barbalho (2005Barbalho, C. (2005). Periódicos científicos em formato eletrônico: elementos para sua avaliação. XXVIII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, pp. 1-18. Rio de Janeiro, Brasil.) explica que “os aspectos intrínsecos dizem respeito a itens formais (normalização, periodicidade, tiragem, etc.). Os extrínsecos referem-se ao conteúdo, ou seja, corpo editorial, consultores, qualidade das contribuições etc.”. Considerando-se que neste grupo todos os títulos cumprem a periodicidade, tem corpo editorial conceituado e internacional, publicam artigos de qualidade em função do grande numero de submissões, o número de fascículos indica as oportunidades de publicação e complementam a informação do número de títulos.

Na Tabela III, é possível visualizar a periodicidade das revistas:

É possível notar que 48 (57%) periódicos publicam 4 volumes por ano, seguido de 16 (19%) que publicam 6 volumes por ano, 6 (7,1%) periódicos que publicam 12 volumes por ano, 3 (3,6%) periódicos publicam 3 volumes por ano. O resultado é equivalente ao apresentado por Mukherjee (2009), que encontrou uma média de 4 fascículos por ano uma amostra composta por 17 títulos em acesso aberto. O Library Journal, dos Estados Unidos, chega a publicar 20 volumes por ano, mas com baixa incidência de artigos que possam ser considerados resultados de pesquisa, na verdade é surpreendente que esteja indexado no WoS.

A quantidade de artigos publicados é um dado significativo para a caracterização dos periódicos na medida em que retrata o ritmo de comunicação em uma determinada área do conhecimento. Na Tabela IV, é possível identificar a distribuição dos artigos produzidos por país e entidade editorial.

Tabela III. Numero de volumes por ano

Numero de volumes por ano

[Descargar tamaño completo]

 

A Tabela IV mostra que as editoras comerciais publicaram 2584 (75,6%) artigos, as universidades, 404 (11,9%), as associações, 280 (8,1%), os institutos de pesquisa, 151 (4,5%) o que revela uma concentração da produção da área da Ciência da Informação registrado como propriedade de editoras comerciais.

Tabela IV. Distribuição do total de artigos por país e entidade editorial

Distribuição do total de artigos por país e entidade editorial

[Descargar tamaño completo]

 

Entre os países que mais publicam artigos, novamente aparecem os Estados Unidos, com 1643 (48%), Inglaterra, com 878 (25,7%), Holanda, com 465 (13,6%) como os principais países, seguidos da Espanha, com 108 (3,2%) e Alemanha, com 101 (3%). Os demais países publicaram menos de 100 artigos no ano de 2012. Fica em evidência os Estados Unidos que sozinho é responsável por 48% (1643) do total de artigos publicados, sendo 1207 (35,3%) publicados por editoras comerciais.

Outra forma de analisar a qualidade de uma publicação é a medida da citação dos artigos. Esse método permite verificar o nível de interesse da comunidade científica pela pesquisa realizada, ou seja, seu impacto sobre a comunidade científica. Os dados de citações categorizados por periódicos e publicados em forma de indicadores no JCR da WoS passaram a ser usados como principal parâmetro de avaliação de pesquisadores e instituições (Strehl, 2005Strehl, L. (2005). O fator de impacto do ISI e a avaliação da produção científica: aspectos conceituais e metodológicos. Ciência da Informação, 34 (1), pp. 19-27.).

Na Tabela V, estão condensados os dados referentes ao número de títulos classificados com fator de impacto de 0 a 4,999 organizados por país.

Tabela V. Distribuição dos periódicos conforme Fator de Impacto e país

Distribuição dos periódicos conforme Fator de Impacto e país

[Descargar tamaño completo]

 

Observando a Tabela V, verifica-se que 62,1% dos periódicos possuem fator de impacto menor que 1, e que cinco periódicos de três países conseguiram índices acima de 3: Estados Unidos com 3 (3,6%) títulos, Inglaterra e Holanda com 1 (1,2%) cada. Entre Estados Unidos e Inglaterra, países que juntos somam 61 (72,6%) dos periódicos da CI, também há o maior número de periódicos, 33 (39,3%) títulos, com fator de impacto abaixo de 1.

Quando falamos dos títulos com maior Fator de Impacto, a situação aparece com ligeira mudança, com a inclusão da Holanda, com metade dos títulos classificados com FI 2 e mais, enquanto um Estados Unidos e Inglaterra apresentam um percentual menor. Este cenário é devido à concentração de importantes editoras comerciais no país, pode-se inferir que a estratégia aqui é ter menos títulos, mas com maior impacto. Alemanha, Brasil, Austrália, Canadá, Espanha, Japão, Malásia e Nigéria só tem títulos com FI menor do que 1.

Pode-se afirmar ainda que, na Ciência da Informação, o chamado mainstream da ciência na verdade está concentrado em apenas 3 países: Estados Unidos, Inglaterra e Holanda, os demais formam como uma “periferia da elite”, com muito menos títulos e títulos menos importantes. Aqui pode-se refletir ainda sobre a existência de “países produtores de ciência” (no caso, artigos científicos) e “países publicadores de ciência”, os que abrigam as grande editoras comerciais.

Na Tabela VI e possibel observar os 10 periodicos com maior fator de impacto e as respectivas periodicidades, país e editora.

Tabela VI. Distribuição dos periódicos conforme Fator de impacto e Periodicidade

Distribuição dos periódicos conforme Fator de impacto e Periodicidade

[Descargar tamaño completo]

 

É possível observar que o MIS Quartely: Management Information Systems é o periódico com maior fator de impacto, 4,659, e sua periodicidade é trimestral. O décimo periódico com maior fator de impacto é o Journal of the American Society for Information Science and Technology com fator de impacto igual a 2,005 e periodicidade mensal. A periodicidade trimestral é a mais comum entre os dez periódicos com maior fator de impacto. Também foi identificado que apenas o MIS Quarterly: Management Information Systems e o Information Systems Research são de institutos de pesquisa, os demais periódicos são provenientes de editoras comerciais. Pode-se também questionar a classificação do MIS Quartely como sendo da Ciência da Informação, uma vez que abrange toda a área de Tecnologia da Informação (TI), o que deixaria o Journal of Informetrics como o maior fator de impacto da área.

Na Tabela VII, temos a distribuição dos periódicos por tipo de acesso.

Tabela VII. Tipo de acesso por país

Tipo de acesso por país

[Descargar tamaño completo]

 

Das 84 revistas, apenas 9 (10,8%) estão em acesso aberto, sendo 3 (3,6%) no Brasil, 2 (2,4%) nos Estados Unidos e 1 (1,2%) na Espanha, na Inglaterra, na Malásia e no México. Das 75 (89,4%) revistas em acesso restrito, 35 (41,7%) títulos estão nos Estados Unidos, 23 (27,4%) na Inglaterra, 6 (7,1%) na Holanda, 4 (4,8%) na Alemanha, 2 (2,4%) em Austrália e Canadá e 1 (1,2%) para cada país, Espanha, Japão e Nigéria. Brasil, Malásia e México tem todos os títulos em acesso aberto; Alemanha, Austrália, Canadá, Holanda, Japão e Nigéria tem todos os títulos em acesso restrito. Os dados confirmam a prevalência da América Latina da adoção de periódicos em acesso aberto sem pagamento de taxas pelo autor. Não foram identificados títulos exclusivamente com Acesso Aberto com Article Processing Fees (APC) no momento da coleta de dados, mas cumpre destacar que as grandes editoras comerciais estão oferecendo a opção em todo o acervo.

A figura 1, representa o tipo de entidade editorial e o acesso dos periódicos.

Figura 1. Distribuição das entidades editoriais dos periódicos da Ciência da Informação e o tipo de acesso

Distribuição das entidades editoriais dos periódicos da Ciência da Informação e o tipo de acesso

[Descargar tamaño completo]

 

Packer (2011Packer, A. L. (2011). Os periódicos brasileiros e a comunicação da pesquisa nacional. Revista USP, 89.) explica que o acesso aberto fundamenta-se no fato da pesquisa ser financiada, em grande parte, por recursos públicos. O autor também comenta que o acesso aberto é especialmente importante para os países em desenvolvimento, em função dos altos custos de subscrição que limitam o acesso, e calcula que 10,8% dos periódicos são de acesso aberto, o que corresponde aos resultados encontrados nesta pesquisa.

Na Tabela VIII, é possível observar os 9 periódicos em acesso aberto e os respectivos fator de impacto em 2012, periodicidades, país, editora e indexação no DOAJ.

Tabela VIII. Distribuição dos periódicos em acesso aberto conforme Fator de impacto, Periodicidade, Editora e indexação no DOAJ

Distribuição dos periódicos em acesso aberto conforme Fator de impacto, Periodicidade, Editora e indexação no DOAJ

[Descargar tamaño completo]

 

O DOAJ procura abrigar todos os periódicos científicos em acesso aberto, entretanto nem todos os periódicos que são de acesso aberto estão indexados no DOAJ. Dos 9 periódicos que estão em acesso aberto, apenas 6 (66,7%) estão indexados no DOAJ, o Information Technology and Libraries, Information Research, Revista Española de Documentación Científica, Informação & Sociedade - Estudos, Perspectivas em CI e o Investigacion Bibliotecologica, que aponta as limitações de pesquisas que consideram como Acesso Aberto apenas os títulos indexados no DOAJ. O periódico com maior fator de impacto é o Journal of Computer-Mediated Communication, 1,778 e sua periodicidade é trimestral.

A universidade é mais comum entre os tipos de entidade editorial dos periódicos em Acesso aberto com 6 títulos (66,7%), os demais são provenientes de associações, editoras comerciais e instituto de pesquisa. O Journal of Computer-Mediated Communication está filiado à Willey-Blackwell, uma editora comercial, entretanto é um dos periódicos da editora que está em acesso aberto. A Willey Open Access é uma iniciativa que possui alguns títulos de diferentes áreas em acesso aberto, os artigos dessas revistas estão imediatamente disponíveis para ler, baixar e compartilhar.

O Brasil possui 3 periódicos em acesso aberto e dois estão indexados no DOAJ. Os Estados Unidos possuem dois (22,2%) periódicos em acesso aberto e apenas um indexado no DOAJ. Espanha, Inglaterra, Malásia e México possuem 1 (11,1%) periódico em acesso aberto cada um e todos indexados no DOAJ.


 

5. CONCLUSÃO Top

A distribuição dos títulos por entidade editorial mostra maior incidência em títulos isolados, com 37% do total nessa condição, na qual também estão inseridos os títulos em Acesso Aberto. Os dados coletados no JCR, referentes ao ano de 2012, mostraram que há predominância dos periódicos provenientes dos Estados Unidos (44%) e Inglaterra (29 %), do total de 84. Se considerarmos a quantidade de artigos, a supremacia norte-americana cresce para 48%, em função do maior numero de fascículos e artigos por edição.

Os resultados corroboram as afirmações de Terra-Figari (2008Terra-Figari, L. I. (2008). Diseminación del conocimiento académico en América Latina. Montevideo. Em: Antropología Social y Cultural en Uruguay 2007. Uruguay: UNESCO.), que aponta que o idioma, parâmetros de edição e publicação, comunidade acadêmica pequena e incentivo à pesquisa limitados são barreiras para a baixa presença das regiões periféricas (América Latina, África, Ásia e Europa oriental) nas bases de dados internacionais. A distribuição de títulos e fascículos da CI confirma ainda os dados apresentados por Miguel et al. (2011Miguel, S.; Moya-Anegón, F. de; Chinchilla-Rodriguez, Z. (2011). Open access and Scopus: a new approach to scientific visibility from the standpoint of access. Journal of the American Society for Information Science and Technology, 62 (6), pp. 1130-1145.), os títulos em Acesso Aberto se concentram na América Latina. Assim temos uma situação estática na situação dos países que não pertencem ao grupo dos “publicadores de ciência”, de se manterem nessa situação (Guedon, 2001Guédon, J. C. (2001). Oldenburg’s long shadow: librarians, research scientists, publishers, and the control of scientific publishing. Washington: Association of Research Libraries.), é possível modificar a situação de “produção da ciência”, como a China e outros vem fazendo (UNESCO, 2010UNESCO (2010). Unesco Science Report: the current status of science around the world. Paris: United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization.; THE ROYAL SOCIETY, 2011THE ROYAL SOCIETY (2011). Knowledge, networks and nations: global scientific collaborations in the 21st century. London: The Royal Society, Disponível em: http://royalsociety.org/knowledge-networks-nations/.).

Entre as entidades editoriais que abrigam maior número de periódicos, estão a Elsevier Inc. (12 títulos), Emerald Group Publishing Limited (9 títulos), Sage Publications LTD (6 títulos) e Willey-Blackwell (5 títulos cada uma). As editoras comerciais abrigam mais periódicos importantes na área da CI do que associações, institutos de pesquisa e universidades juntos. A análise da quantidade de artigos publicados retrata o ritmo de comunicação da CI, Estados Unidos, Inglaterra e Holanda são os países cujos periódicos mais publicaram artigos no ano de 2012, a soma chega a 87% do total de 3.419. Esta concentração mostra o grau de dependência que a área tem dos periódicos dos países ditos centrais, onde os editores e avaliadores vão priorizar os trabalhos que consideram relevantes e com o uso de metodologias correspondentes.

Analisar o fator de impacto é uma forma de avaliar a qualidade das publicações, permitindo verificar o impacto da pesquisa realizada sobre a comunidade científica. A análise do fator de impacto permitiu identificar que a maioria (62%) dos títulos tem fator de impacto entre 0 e 0,999, e que cinco dos dez periódicos com maior fator de impacto possuem periodicidade trimestral, sendo oito de editoras comerciais ou associadas, sete dos Estados Unidos, duas da Holanda e uma da Inglaterra.

O DOAJ procura abrigar todos os periódicos científicos que estão em acesso aberto, entretanto somente 6 dos 9 periódicos em acesso aberto, analisados nesta pesquisa, estão indexados no DOAJ, o que representa 60% do total. Se esta proporção se aplicar a outras áreas do conhecimento, podemos inferir que o número de títulos de periódicos em Acesso Aberto é maior do que se estima, uma vez que o DOAJ é usado frequentemente (Miguel, Moya-Anégon, Chinchilla-Rodriguez, 2011Miguel, S.; Moya-Anegón, F. de; Chinchilla-Rodriguez, Z. (2011). Open access and Scopus: a new approach to scientific visibility from the standpoint of access. Journal of the American Society for Information Science and Technology, 62 (6), pp. 1130-1145.) como indicativo de número de títulos em Acesso Aberto, o que mascara os resultados.

Frente ao objetivo desta pesquisa, foi possível concluir que, ainda que a CI seja uma área com mais percepção da questão do acesso às publicações científicas do que as demais, foi identificada uma distribuição que pode ser considerada equivalente ao cenário geral, o destaque dos títulos em acesso aberto ser devido a uma condição geográfica, especialmente no Brasil e não às especificidades da área do conhecimento.

Considerando que as editoras comerciais não vão alterar o tipo de acesso de seus títulos, se alguma mudança ocorrer, é mais viável que sejam os editores isolados a migrar para o Acesso Aberto, que respondem por um percentual significativo de títulos, ainda que não necessariamente de artigos, idealmente usando a via platina, sem pagamento de taxas pelos autores.

 

REFERÊNCIASTop

Abadal, E. (2012). Acceso abierto a la ciencia. Barcelona: Editorial UOC (Colección El profesional de la información), Disponível em: http://diposit.ub.edu/dspace/bitstream/2445/24542/1/262142.pdf Acesso em: 29 jun. 2012..
Arsenault, A.; Castells, M. (2008). The Structure and Dynamics of Global Multi-Media Business Networks. International Journal of Communication, 2, pp. 707-748.
Barbalho, C. (2005). Periódicos científicos em formato eletrônico: elementos para sua avaliação. XXVIII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, pp. 1-18. Rio de Janeiro, Brasil.
Castells, M. (2003). A sociedade em rede. (7ª ed.). São Paulo: Paz e Terra.
Coleman, A. (2007). Self-archiving and the Copyright Transfer Agreements of ISI-ranked library and information science journals. Journal of the American Society for Information Science and Technology, 58 (2), pp. 286-296.
Crawford, W. (2011). Open Access: What You Need to Know Now. Chicago: American Library Association.
Creswell, J. W. (2010). Projeto de pesquisa: métodos qualitativo, quantitativo e misto. (3ª ed.). Porto Alegre: ARTMED.
Edgar, B.; Willinsky, J. (2010). A Survey of Scholarly Journals Using Open Journal Systems. Scholarly and Research Communication, 1 (2).
Guédon, J. C. (2001). Oldenburg’s long shadow: librarians, research scientists, publishers, and the control of scientific publishing. Washington: Association of Research Libraries.
Houghton, J. et al. (2009). Economic implications of Alternative Scholarly Publishing Models: Exploring the Costs and Benefits, JISC EI-ASPM Project. Report to the Joint Information Systems Committee (JISC) (UK), CSES; Loughborough University.
Kaufman Wills Group (2005). The Facts About Open Access: A Study of the Financial and Non Financial Effects of Alternative Business Models for Scholarly Journals. Worthing; West Sussex (UK): Association of Learned and Professional Society Publishers.
King, D.; Tenopir, C. (2011). Some Economic Aspects of the Scholarly Journal System. Anual Review of Information Science and Technology, 45, pp. 295-366. Medford, NJ: Blaise Cronin, ed. Information Today, Inc.
McGuigan, G. S.; Russel, R. D. (2008). The business of academic publishing: a strategic analysis of the academic journal publishing industry and its impact on the future of scholarly publishing. Electronic Journal of Academic and Special Librarianship, 9 (3).
Meadows, A J. (1999). A comunicação científica. Brasília: Briquet de Lemos.
Merton, R. K. (1973). The Sociology of Science: theoretical and empirical investigations. Chicago: University of Chicago Press.
Miguel, S.; Moya-Anegón, F. de; Chinchilla-Rodriguez, Z. (2011). Open access and Scopus: a new approach to scientific visibility from the standpoint of access. Journal of the American Society for Information Science and Technology, 62 (6), pp. 1130-1145.
Mueller, S. P. M. (2006). A comunicação científica e o movimento de acesso livre ao conhecimento. Ciência da Informação, 35 (2), pp. 27-38.
Packer, A. L. (2011). Os periódicos brasileiros e a comunicação da pesquisa nacional. Revista USP, 89.
Rodrigues, R. S.; Abadal, E. (2014). Scientific journals in Brazil and Spain: alternative publisher models. Journal of the American Society for Information Science and Technology, In press.
Rodriguez-Yunta, L. (2010). Las revistas iberoamericanas en Web of Science y Scopus: visibilidad internacional e indicadores de calidad. Em: Comunicación en el VII Seminario Hispano-Mexicano de Investigación en Bibliotecología y Documentació. Ciudad de Mexico.
Strehl, L. (2005). O fator de impacto do ISI e a avaliação da produção científica: aspectos conceituais e metodológicos. Ciência da Informação, 34 (1), pp. 19-27.
Terra-Figari, L. I. (2008). Diseminación del conocimiento académico en América Latina. Montevideo. Em: Antropología Social y Cultural en Uruguay 2007. Uruguay: UNESCO.
THE ROYAL SOCIETY (2011). Knowledge, networks and nations: global scientific collaborations in the 21st century. London: The Royal Society, Disponível em: http://royalsociety.org/knowledge-networks-nations/
UNESCO (2010). Unesco Science Report: the current status of science around the world. Paris: United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization.
Velho, L. M. S. (1985). Como Medir Ciência?. Revista Brasileira de Tecnologia, 16 (1), pp. 35-41.
Whitley, R. (1984). The Social and Intellectual Organization of the Science. Oxford: Oxford University Press.
Willinsky, J. (2003). The Nine Flavours of Open Access Scholarly Publishing. Journal of Postgraduate Medicine, 49, pp. 263-267.
ZIMAN, J. (1981). A força do Conhecimento. São Paulo: Editora de Universidade de São Paulo.
ZIMAN, J. (1979). Conhecimento público. Itatiaia: EDUSP.

 

APÊNDICETop

APÊNDICE. Lista dos periódicos que compõem o universo da pesquisa

APÊNDICE - Lista dos periódicos que compõem o universo da pesquisa

[Descargar tamaño completo]

 


Copyright (c) 2015 Consejo Superior de Investigaciones Científicas (CSIC)

Licencia de Creative Commons
Esta obra está bajo una licencia de Creative Commons Reconocimiento 4.0 Internacional.


Contacte con la revista redc.cchs@cchs.csic.es

Soporte técnico soporte.tecnico.revistas@csic.es